Caneta emagrecedora: quanto custa cada marca em 2026 (tabela completa)

Doze canetas emagrecedoras diferentes estão à venda no Brasil hoje, com preços que vão de menos de R$ 300 a quase R$ 4.000 por mês — para tratar, no fundo, a mesma coisa. Essa distância enorme não é acaso nem promoção: é o resultado de uma patente que caiu, um fabricante nacional que decidiu vender mais barato, e outro fabricante original criando sua própria linha de desconto. Esta página reúne o preço de cada marca, com data, e as duas contas que a maioria dos comparadores esquece de fazer.
O que o preço resolve — e o que só a indicação clínica resolve
O que ele resolve: ajuda a decidir entre marcas da mesma molécula — a diferença entre a caneta nacional mais barata e a importada mais cara do mesmo grupo farmacológico já passa de dois terços, argumento real para levar ao consultório.
O que ele não resolve: preço baixo não substitui o critério de indicação. Nenhuma das doze marcas listadas é de venda livre, e a troca de marca — Ozempic por Ozivy, Saxenda por Olire, Wegovy por Poviztra — ainda passa pela prescrição médica, mesmo quando a diferença de preço parece óbvia.
O que define o caso: o valor da caixa só é o custo mensal de fato para quem usa canetas de aplicação semanal; para as de aplicação diária, a caixa cobre de duas a três semanas, não o mês inteiro — quem não faz essa conta subestima o custo real do próprio tratamento.
Quem não deve seguir sozinho: escolher uma marca mais barata dentro da mesma molécula porque o preço parece óbvio, sem confirmar com o médico se a indicação registrada é a mesma, é decisão que ainda precisa passar pela prescrição.
A tabela completa, por molécula
| Caneta | Molécula | Fabricante | Aplicação | Faixa de preço/mês |
|---|---|---|---|---|
| Mounjaro | Tirzepatida | Eli Lilly | Semanal | R$ 1.400 – R$ 3.900 |
| Ozempic | Semaglutida | Novo Nordisk | Semanal | R$ 900 – R$ 1.400 |
| Wegovy | Semaglutida, dose de obesidade | Novo Nordisk | Semanal | R$ 950 – R$ 1.300 |
| Ozivy | Semaglutida sintética | EMS | Semanal | R$ 452 – R$ 498 |
| Poviztra | Semaglutida, dose de obesidade | Novo Nordisk / Eurofarma | Semanal | R$ 295 – R$ 490 |
| Extensior | Semaglutida | Novo Nordisk / Eurofarma | Semanal | R$ 399 – R$ 599 |
| Saxenda | Liraglutida | Novo Nordisk | Diária | R$ 891 – R$ 1.150 (caixa com 3) |
| Olire | Liraglutida | EMS | Diária | R$ 760 – R$ 870 (caixa com 3) |
| Lirux | Liraglutida | EMS | Diária | R$ 507 (caixa com 2) |
| Victoza | Liraglutida | Novo Nordisk | Diária | R$ 635 – R$ 705 (caixa com 2) |
| Rybelsus | Semaglutida oral | Novo Nordisk | Comprimido diário | sem levantamento próprio ainda |
| Trulicity | Dulaglutida | Eli Lilly | Semanal | sem levantamento próprio ainda |
| Contrave | Naltrexona + bupropiona | Merck | Até 4 comprimidos/dia | R$ 626 – R$ 699 (caixa de 120, ~1 mês) |
Referência: julho de 2026. Preço de vitrine varia por farmácia, cartão de desconto e campanha — confirme antes de comprar.
Cinco registros novos da Anvisa, aprovados em 29 de julho de 2026 (Zempneo, Semavy, Orsema, Seemasun e Owozy), ainda não têm preço público — a CMED só fixa o teto depois do registro, e nenhum fabricante anunciou valor de venda até esta data. O acompanhamento deles está em as 5 novas canetas que a Anvisa aprovou em julho de 2026.
Por que o teto de preço não conta a história toda
A CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) fixa, para cada medicamento registrado, um Preço Máximo ao Consumidor — um teto, não um valor obrigatório. O que cada farmácia cobra abaixo desse teto é decisão comercial de cada rede e de cada fabricante.
O caso mais claro disso é o Ozivy. Quando a CMED fixou o teto do Ozivy, em 1º de junho de 2026, o valor saiu em R$ 803,44 sem ICMS — praticamente o mesmo patamar do teto do Ozempic. O preço caiu na prateleira, para a faixa de R$ 452 a R$ 498, porque a EMS decidiu vender por cerca de 30% menos, não porque o regulador impôs isso. A mesma lógica se repete com o Poviztra: a Novo Nordisk, dona da molécula do Wegovy, vende a própria semaglutida sob outra marca e outra faixa de preço no Brasil — R$ 295 a R$ 490, contra R$ 950 a R$ 1.300 do Wegovy —, uma decisão de segmentação, não uma concessão regulatória. O detalhe completo de como cada uma das cinco marcas nacionais chegou a esse preço está em canetas emagrecedoras nacionais.
A conta que a maioria dos comparadores não faz
Aqui está o erro mais comum de quem compara preço de caneta emagrecedora: tratar o valor da caixa como se fosse sempre o custo do mês.
Para as canetas de aplicação semanal — Mounjaro, Ozempic, Wegovy, Ozivy, Poviztra, Extensior — a caixa-padrão vendida em farmácia já corresponde a um mês de tratamento (quatro aplicações). Nesses casos, o preço da caixa e o custo mensal são, na prática, o mesmo número.
Para as de aplicação diária — Saxenda, Olire, Lirux, Victoza —, não. Uma caixa com três canetas de Saxenda ou Olire, na dose de manutenção (3,0 mg por dia), dura cerca de 18 dias, não um mês inteiro — cada caneta carrega 18 mg de liraglutida, e 54 mg divididos por 3 mg ao dia dá pouco mais de duas semanas. Isso significa que cobrir 30 dias exige mais de uma caixa e meia, elevando o custo mensal real bem acima do preço de etiqueta impresso na caixa. O detalhamento completo dessa conta, com os valores exatos do Olire contra o Saxenda, está em Olire: quanto custa hoje.
A regra prática: antes de comparar preço entre duas canetas, confirme se a aplicação é semanal ou diária — comparar a caixa de uma semanal com a caixa de uma diária, sem ajustar pelos dias que cada uma cobre, é comparar coisas diferentes com a mesma régua.
Nacional contra importada, lado a lado
A diferença de preço entre a caneta nacional mais barata e a importada mais cara do mesmo grupo farmacológico já passa de dois terços. Dentro da semaglutida, por exemplo, o Poviztra (R$ 295 a R$ 490) chega a custar um terço do Wegovy (R$ 950 a R$ 1.300) — mesma molécula, mesmo fabricante original, marca e preço diferentes no Brasil. Dentro da liraglutida, o Olire (R$ 760 a R$ 870) fica de 15% a 24% abaixo do Saxenda (R$ 891 a R$ 1.150), a mesma vizinhança dos “10% a 20% mais barato” que a EMS anunciou no lançamento.
Isso não torna a nacional uma versão inferior — é a mesma molécula, na mesma dose, com a mesma eficácia esperada. O que muda é o critério de decisão, que deixa de ser só “qual funciona” e passa a ser “qual custa menos, dentro da molécula que o médico já indicou”.
O que o preço não muda
Nenhuma das doze é medicamento de venda livre. Todas exigem receita retida, de controle especial, e a troca de marca dentro da mesma molécula — Ozempic por Ozivy, Saxenda por Olire, Wegovy por Poviztra — ainda passa pela prescrição médica, mesmo quando a diferença de preço é grande o bastante para parecer óbvia. O critério de quem pode usar cada molécula, por IMC e comorbidade, está detalhado em caneta emagrecedora: o guia de 2026.
Se você quer só a tabela, sem o contexto, a versão enxuta e atualizada mensalmente está em quanto custa cada caneta emagrecedora hoje.
Resumindo
O preço das doze canetas emagrecedoras à venda no Brasil em 2026 vai de R$ 295 a R$ 3.900 por mês, e essa distância vem de três fatores que raramente aparecem juntos num só texto: teto da CMED (que é limite, não meta), decisão comercial de cada fabricante sobre quanto cobrar abaixo desse teto, e a diferença entre aplicação semanal (onde a caixa já é o mês) e diária (onde não é). Comparar preço sem separar esses três fatores é a razão pela qual duas pessoas pesquisando a mesma coisa costumam chegar a conclusões diferentes sobre qual caneta “vale mais a pena”.
Leia também: Caneta emagrecedora sem receita: por que não dá, e o que fazer em vez disso
Perguntas frequentes
Qual a caneta emagrecedora mais barata?
Em julho de 2026, o Poviztra é a mais barata dentre as com preço público, começando em R$ 295 no início de tratamento pelo programa do próprio fabricante — o mesmo grupo (Novo Nordisk) que vende o Wegovy por R$ 950 a R$ 1.300. É a mesma semaglutida biológica, sob marca e faixa de preço diferentes.
Qual a caneta emagrecedora mais cara?
O Mounjaro, que vai de R$ 1.400 na dose inicial de 2,5 mg até R$ 3.900 na dose máxima de 15 mg. É também a única molécula do grupo (tirzepatida) sem previsão de queda de patente até 2036, o que explica por que ele segue sem concorrente nacional direto, diferente do que já aconteceu com semaglutida e liraglutida.
O preço da caixa é o mesmo que o custo mensal do tratamento?
Só para as canetas de aplicação semanal, cuja caixa-padrão já cobre um mês. Para as de aplicação diária — Saxenda, Olire, Lirux, Victoza —, a caixa de 2 ou 3 unidades dura entre duas e três semanas na dose de manutenção, não um mês inteiro. Quem compara só o preço da caixa, sem fazer essa conta, subestima o custo real do tratamento diário.
Por que caneta nacional é tão mais barata que a importada?
Nem sempre é a mesma explicação. Ozivy, Olire e Lirux (EMS) são medicamento novo com síntese própria, e o desconto vem de decisão comercial do fabricante sobre um teto de preço da CMED parecido com o do concorrente original. Já Poviztra e Extensior são a mesma molécula da própria Novo Nordisk, vendida sob outra marca e outra faixa de preço no Brasil — segmentação do fabricante original, não concorrência de terceiro. O detalhe está em canetas emagrecedoras nacionais.
Esses preços valem para sempre?
Não. Esta tabela usa julho de 2026 como referência e é atualizada quando o mercado muda — o que, neste nicho, tem acontecido a cada poucos meses desde a queda da patente da semaglutida em março de 2026. Cinco novos registros da Anvisa, aprovados em 29 de julho, ainda não têm preço público e vão alterar esta tabela assim que a CMED fixar o teto de cada um.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, prescrição ou acompanhamento médico. Medicamentos com receita só devem ser usados sob orientação de um profissional de saúde habilitado.