A perda de massa muscular que ninguém avisa — e os 22% com deficiência nutricional

Ficha de dados
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Você está emagrecendo com Mounjaro ou Ozempic, o número na balança desce toda semana, e por fora parece que está tudo dando certo. A pergunta que quase ninguém faz antes de começar — e que poucos artigos respondem — é: de onde está saindo esse peso? Gordura, com certeza. Mas também, em boa parte dos casos, músculo. E essa parte importa mais do que parece.
O que a caneta emagrecedora resolve — e o que só o acompanhamento nutricional resolve
O que ela resolve: Mounjaro e Ozempic reduzem drasticamente o apetite, e é esse mecanismo que sustenta a perda de peso — gordura incluída.
O que ela não faz: não diferencia gordura de músculo. O corpo busca energia em qualquer reserva disponível quando a ingestão cai muito, e um levantamento com mais de 461 mil pacientes em uso de GLP-1 encontrou cerca de 22% com alguma deficiência nutricional em até um ano.
O que define o caso: o risco depende do que a pessoa faz durante o tratamento — ingestão de proteína insuficiente e ausência de treino de força são o que abre espaço para a perda de massa magra, não o medicamento sozinho.
Quem não deve seguir sozinho: manter treino de força regular e ingestão deliberada de proteína — que não vem sozinha quando o apetite cai — é o que um estudo da UFSC mostrou preservar massa magra e metabolismo. Ajustar isso sem orientação de nutricionista ou educador físico aumenta o risco de reganho facilitado depois.
O mecanismo: por que a caneta também tira músculo
Mounjaro e Ozempic não “sabem” diferenciar gordura de músculo — eles reduzem drasticamente o apetite, e o corpo, recebendo muito menos energia do que gastava antes, passa a buscar energia em qualquer reserva disponível, gordura e massa magra incluídas. Quando a ingestão de proteína não é suficiente para sinalizar ao corpo que preserve o tecido muscular, e quando não há estímulo de treino de força pedindo esse músculo de volta, uma fração relevante do peso perdido sai do tecido magro — não só da gordura.
Esse processo tem nome: sarcopenia induzida por emagrecimento rápido. Não é exclusivo das canetas GLP-1 — acontece em qualquer dieta muito restritiva sem cuidado — mas o efeito de apetite tão forte dessas medicações torna mais fácil cair numa ingestão insuficiente sem perceber, porque a fome simplesmente não avisa.
O número que mostra o tamanho do problema
Um levantamento na revista científica Obesity Pillars, com mais de 461 mil pacientes em uso de medicamentos GLP-1, encontrou que cerca de 22% desenvolveram alguma deficiência nutricional em até um ano de tratamento — as mais comuns foram proteína, ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D. A explicação por trás do número é simples: o remédio tira a fome, e quem come muito pouco não ingere nutriente nenhum, proteína para o músculo incluída.
Esse dado não significa que 22% das pessoas vão necessariamente perder músculo de forma significativa — deficiência nutricional e sarcopenia são coisas relacionadas, não idênticas. Mas é o sinal mais concreto disponível hoje de que uma parcela relevante de quem usa essas canetas está comendo de forma insuficiente para sustentar o próprio corpo durante o tratamento, e isso é exatamente o cenário em que a perda de massa magra acontece.
Por que isso é o contra mais subestimado do tratamento
A massa muscular é o principal determinante da taxa metabólica basal — a quantidade de energia que o corpo queima em repouso, só para manter os órgãos funcionando. Quanto mais músculo, maior esse gasto de base; quanto menos, menor. Perder músculo durante o tratamento significa que, ao final, o corpo passa a gastar menos energia por dia do que gastava antes de começar — mesmo pesando menos.
Isso cria um cenário pior do que o ponto de partida para quem depende só da caneta, sem cuidar da composição corporal. Se o tratamento parar (e os dados mostram que boa parte do peso tende a voltar — ver o que acontece quando você para de tomar), o corpo que reganha peso agora tem uma taxa metabólica basal mais baixa do que tinha antes, o que facilita ainda mais o reganho e dificulta emagrecer de novo no futuro. É o oposto do que a maioria espera ao começar um tratamento para perder peso.
O que reduz o risco: o achado que conecta caneta, comida e rotina
Um estudo da UFSC, de 2025, mostrou que exercício resistido regular (musculação) durante o tratamento com GLP-1 preserva massa magra e taxa metabólica basal, mesmo com a redução de apetite provocada pelo remédio. É a evidência mais direta de que o problema não é inevitável — ele depende do que a pessoa faz durante o tratamento, não só do medicamento em si.
Duas medidas, juntas, é o que a evidência disponível sustenta:
Treino de força regular. O estímulo mecânico do treino resistido sinaliza ao corpo para preservar o tecido muscular mesmo em déficit calórico — é o achado central do estudo da UFSC, e é consistente com o que já se sabe sobre preservação de massa magra em qualquer contexto de emagrecimento.
Ingestão deliberada de proteína. Como o apetite cai tanto, proteína suficiente não aparece sozinha na dieta — exige atenção ativa a cada refeição, porque a fome que normalmente guiaria a pessoa a comer o bastante simplesmente não está mais lá com a mesma intensidade.
Resumindo
Perder peso com Mounjaro ou Ozempic tira gordura, mas também pode tirar músculo, se a alimentação e a rotina não acompanharem — um levantamento com mais de 461 mil pacientes encontrou cerca de 22% com alguma deficiência nutricional em até um ano de tratamento, sinal de ingestão insuficiente durante o período. Isso importa porque massa muscular sustenta a taxa metabólica basal: perder músculo deixa o corpo queimando menos energia em repouso, o que facilita o reganho depois. Um estudo da UFSC mostrou que treino de força regular durante o tratamento preserva massa magra e metabolismo — a evidência disponível aponta que o risco não é automático, e sim uma questão do que se faz enquanto se usa a caneta.
Sources:
- Gazeta da Semana — desnutrição silenciosa e perda de massa muscular (Obesity Pillars)
- Estado de Minas — canetas emagrecedoras podem causar efeito rebote com perda muscular severa
- CFF — estudo indica reganho rápido ao parar de tomar Ozempic
Leia também: Caneta emagrecedora sem receita: por que não dá, e o que fazer em vez disso
Perguntas frequentes
Mounjaro e Ozempic fazem perder músculo?
Podem, sim, e o mecanismo não é direto sobre o músculo — é indireto, pela redução drástica do apetite. Quando a pessoa come muito menos, sem repor proteína suficiente nem manter atividade física, o corpo queima massa magra junto com gordura para obter energia. Um levantamento na Obesity Pillars, com mais de 461 mil pacientes em uso de GLP-1, encontrou que cerca de 22% desenvolveram alguma deficiência nutricional em até um ano — sinal de que a alimentação, nesses casos, não estava acompanhando a perda de peso.
Por que perder músculo é ruim, se o objetivo é emagrecer?
Porque o músculo é o que sustenta a taxa metabólica basal — a energia que o corpo queima em repouso, só para funcionar. Perder massa magra reduz essa taxa, o que significa que o corpo passa a precisar de menos caloria por dia do que precisava antes. O resultado prático é ficar mais propenso ao reganho de peso do que se estava antes de começar o tratamento, porque o "gasto de base" caiu junto com o peso.
Como evitar perder músculo tomando caneta emagrecedora?
As duas medidas com respaldo de estudo são treino de força regular e ingestão adequada de proteína. Um estudo da UFSC, de 2025, mostrou que exercício resistido (musculação) durante o tratamento com GLP-1 preserva massa magra e taxa metabólica basal, mesmo com a redução de apetite provocada pelo remédio. Como o apetite cai, é preciso atenção deliberada à proteína — ela não vem sozinha quando a pessoa come menos por sentir menos fome.
Quais nutrientes mais faltam em quem usa Mounjaro ou Ozempic?
O levantamento na Obesity Pillars aponta proteína, ferro, zinco, vitamina B12 e vitamina D como as deficiências mais comuns entre pacientes em uso de GLP-1. A explicação é direta: o apetite cai tanto que a pessoa come pouco de tudo, nutriente incluso — não é um efeito químico do remédio drenando essas substâncias, é consequência de comer menos.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, prescrição ou acompanhamento médico. Medicamentos com receita só devem ser usados sob orientação de um profissional de saúde habilitado.